Sinduscom Vales

Na pauta da Jornada do Conhecimento, do Sinduscom Vales, o tema eleições

Na quinta-feira, dia 24 de setembro, estiveram prestigiando a Jornada do Conhecimento, empresas associadas e filiadas, além de convidados do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Leopoldo (SINDUSCOM Vales).

O encontro, destinado ao conhecimento e a troca de experiências, foi uma oportunidade para estabelecer conexões com outros profissionais, ampliando a troca de experiências e fortalecendo os empreendimentos.

Nesta edição, a entidade contou com o apoio do SEBRAE e da SULGÁS. O tema em pauta foi Perspectivas econômicas em virtude das eleições 2026, abordado com muita propriedade pelo economista-chefe da FIERGS, Giovani Baggio.

A atividade, seguida de um jantar de confraternização, teve lugar no Centro das Indústrias, em São Leopoldo. Segundo o presidente da entidade, engenheiro Ricardo Ramos, “eventos como esse favorecem o networking e a troca de informações entre associadas e filiadas. O Sinduscom Vales, que abrange 20 municípios, conta com a parceria de entidades coirmãs”, afirma Ricardo. “Estas instituições possuem objetivos, finalidades e origens semelhantes, mantendo laços de cooperação, parceria e afinidade entre si. Desejamos seguir contando igualmente com todos vocês, para expandir a nossa força, como entidade sindical patronal, e crescer individualmente como empresa”.

Na ocasião, Aléxia da Luz, supervisora Administrativa, do SINDUSCOM Vales, fez uma breve apresentação sobre a entidade, enfatizando benefícios e ações estratégicas. Igualmente, os apoiadores do evento, Leonardo da Conceição e Muriel Maus, representantes do SEBRAE e da SULGÁS, respectivamente, informaram aspectos pertinentes às suas entidades e pontuaram a importância da parceria.    

CONVIDADO ESPECIAL – Giovani Baggio, mestre em Economia Aplicada, atua como gerente técnico da Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS e do Observatório da Indústria do Rio Grande do Sul. Membro da diretoria de Economia da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), liderou a equipe da FIERGS, vencedora do 1º lugar no Ranking Broadcast Projeções 2026, da Agência Estado, uma das principais premiações do mercado brasileiro de análises e previsões econômicas.

O economista abordou os principais desafios econômicos para os próximos governos, destacando a situação do Rio Grande do Sul e os indicadores da construção civil e do mercado imobiliário.  Giovani apresentou dados macroeconômicos do Banco Central, que demonstram uma desaceleração contínua da atividade econômica no Brasil. Destacou que esse abrandamento tem resultado na redução da geração de empregos formais (com carteira assinada).

O palestrante apresentou dados referentes ao impacto prolongado da taxa Selic elevada (acima de 10% há anos e com pico em 15%), frisando como isso prejudica o consumo e os investimentos. Enfatizou que as reduções da taxa têm sido lentas devido à inflação persistente, acima da meta e aos fatores fiscais. Mencionou que o governo tem segurado os preços dos combustíveis (como o diesel), gerando uma defasagem expressiva face aos preços internacionais, impactando nas contas públicas.

Com relação ao desequilíbrio fiscal e a inflação, o economista afirmou que a inflação no Brasil se encontra persistentemente acima da meta (3%), aproximando-se dos 5%. Os desequilíbrios na economia, sobretudo o fiscal, representam o maior desafio a ser enfrentado pela próxima gestão governamental para evitar uma grave crise.

“O governo atinge recordes de arrecadação, mas os gastos crescem a um ritmo superior. As receitas crescem cerca de 8% ao ano, acima da inflação, enquanto as despesas crescem 13%”, destaca.  “O déficit nominal atual ultrapassa os níveis registados durante o período da pandemia, mesmo sem o contexto de crise de saúde global”.

Segundo o economista, “mais de 90% das despesas públicas são obrigatórias (previdência, benefícios sociais, funcionalismo público), deixando pouca margem para investimentos em infraestrutura e tecnologia. Pela regra atual (inflação + PIB de dois anos anteriores), o salário-mínimo cresce cerca de 8% ao ano. Cada R$ 1 real de aumento gera um impacto de quase R$ 400 milhões de reais em despesas”.

PROPOSTA DE MUDANÇA – O economista defende como medida prioritária a alteração da regra de reajuste do salário-mínimo, limitando-o à correção pela inflação (como ocorreu a partir de 2016), garantindo o poder de compra previsto na Constituição e contendo a trajetória preocupante da dívida pública em relação ao PIB.

Ao apresentar uma retrospectiva histórica, Giovani recordou que o País enfrentou a maior crise da sua história entre 2015 e 2016, acumulando dois anos consecutivos de queda no PIB (redução de quase 7% da atividade econômica). Foram fechados cerca de 3 milhões de postos de trabalho no País, sendo 1 milhão pertencentes ao setor da construção civil.

Para Giovani, as perspetivas de melhora passam por adotar reformas estruturais (como ter um arcabouço fiscal credível, rever regras do salário-mínimo e desvincular certos gastos de saúde e educação da receita). A curva de juros reais pode despencar rapidamente. Como exemplo, cita o período pré-pandemia, quando a taxa Selic esteve em patamares de 4% a 4,5%.

A origem do problema, segundo Giovani, passa pelos juros elevados, carga tributária excessiva e infraestrutura deficiente, resultando na falta de controle fiscal e de gastos desmedidos do governo. “A taxa de inadimplência de pessoas físicas está no nível mais alto dos últimos 10 anos, enquanto o número de empresas inadimplentes disparou substancialmente”.

Segundo Giovani Baggio, a situação é procupante. Já no RS, teremos problemas adicionais, como o pagamento das parcelas da renegociação da dívida junto à União e a urgente retomada de investimentos em setores como infraestrutura e logística. “A rede rodoviária está em situação precária e a ferroviária praticamente inexiste, sem contar o envelhecimento da população e a redução da taxa de natalidade, impactando ainda mais na falta de mão de obra”.

A Jornada do Conhecimento foi uma aula de informação e cultura protagonizada pelo economista-chefe da FIERGS, Giovani Baggio e prestigiada pelo segmento da construção e do mobiliário.

Neusa Medeiros
Jornalista | Reg. Profissional nº 5.062

Assessora de Imprensa do SINDUSCOM Vales
Edição 3 Comunicação Empresarial